O nome do Dr. Radan Veselý aparece em relatórios médicos, registros acadêmicos e documentos financeiros de instituições que oficialmente nunca trabalharam juntas.
Durante anos, Veselý foi apresentado como um pesquisador respeitado na área de memória traumática, comportamento condicionado e recuperação de pacientes submetidos a experiências extremas.
Hoje, é procurado por suspeita de envolvimento em experiências psicológicas clandestinas, manipulação de testemunhas, destruição de provas e fuga da custódia.
Um médico sem histórico completo
Os primeiros registros públicos de Veselý o descrevem como médico e pesquisador ligado a instituições da República Tcheca.
Parte de sua carreira, porém, não aparece em universidades, hospitais ou conselhos profissionais. Existem períodos de vários anos nos quais seu nome desaparece completamente dos registros oficiais.
Quando volta a surgir, Veselý aparece associado a projetos financiados por fundações estrangeiras, clínicas particulares e programas voltados para jovens sem vínculos familiares claramente documentados.
Algumas dessas instituições encerraram suas atividades sem apresentar relatórios finais. Outras foram vendidas, reformadas ou transformadas em organizações com nomes diferentes.
Experiências baseadas em memória e medo
Documentos recuperados durante investigações recentes mencionam procedimentos destinados a provocar lembranças por meio de estímulos específicos.
Entre os elementos repetidos nos arquivos estão:
- redução controlada da temperatura;
- músicas infantis reproduzidas em baixa frequência;
- odores associados a alimentos;
- isolamento prolongado;
- vozes reconstruídas a partir de gravações antigas;
- objetos colocados em posições previamente determinadas;
- informações falsas sobre pessoas desaparecidas ou mortas.
Os relatórios não descrevem esses procedimentos como tratamento convencional.
Em diversos trechos, o objetivo parece ser observar se uma pessoa poderia reagir violentamente a uma lembrança mesmo sem saber se ela era verdadeira.
A cadeira vazia
O símbolo de uma cadeira desocupada aparece repetidamente em materiais associados ao médico.
Em alguns registros, ela é apresentada como parte de um exercício terapêutico. Em outros, funciona como representação de alguém ausente.
Investigadores acreditam que o objeto era utilizado para reforçar sentimentos de culpa, abandono e sobrevivência.
“O participante deve acreditar que a ausência foi causada por sua própria escolha.”
A frase acima foi encontrada em uma página sem assinatura. O documento não identifica o participante nem explica qual ausência deveria ser lembrada.
A ligação com o Instituto Havel
O nome de Veselý voltou a aparecer depois de uma ocorrência no Instituto Havel, em Praga.
Durante uma apresentação acadêmica, uma estudante entrou em estado de choque ao ouvir uma canção que não fazia parte da programação oficial.
Horas depois, uma pessoa foi encontrada sem vida dentro de uma câmara refrigerada da instituição.
Equipamentos de áudio haviam sido modificados, registros internos foram apagados e uma cadeira foi deixada diante do palco.
Veselý deixou o instituto antes da chegada das autoridades.
A fundação que não confirma sua existência
Diferentes arquivos relacionam o médico a uma organização chamada Fundação Morgenlicht.
A instituição aparece como responsável por bolsas de estudo, tratamentos psicológicos e programas internacionais de pesquisa.
Entretanto, seus endereços levam a escritórios vazios, empresas encerradas ou representantes que afirmam nunca ter ouvido falar de Veselý.
Transferências financeiras mostram que a fundação custeou viagens, equipamentos médicos e acompanhamento de pessoas durante vários anos.
Os nomes dos acompanhados permanecem censurados.
O projeto sem nome
Em um conjunto de páginas parcialmente queimadas, Veselý é identificado como supervisor de um programa de “reativação tardia”.
O título completo do projeto foi removido, restando apenas algumas letras e o desenho de duas linhas paralelas.
O relatório determina que participantes não deveriam saber da existência uns dos outros.
Também afirma que qualquer aproximação prematura poderia comprometer o condicionamento.
Não está claro quantas pessoas participaram, onde foram levadas ou se ainda estão vivas.
A fuga
Veselý chegou a ser localizado depois que documentos do Instituto Havel foram comparados com registros de clínicas particulares.
Ele foi conduzido para prestar esclarecimentos, mas desapareceu durante uma transferência.
O veículo responsável pelo transporte foi encontrado vazio. Não havia sinais evidentes de luta, e parte das imagens do trajeto foi apagada antes da fuga.
Desde então, surgiram relatos não confirmados de sua presença em diferentes países europeus.
Em todos eles, o padrão se repete: uma instituição fechada, registros incompletos e pessoas que afirmam ter recebido tratamentos dos quais não conseguem se lembrar por inteiro.
Por que Veselý é considerado perigoso
As autoridades acreditam que o médico possui conhecimento avançado de comportamento humano, medicamentos, construção de falsas memórias e manipulação de ambientes.
Ele pode utilizar documentos falsos, instituições legítimas e intermediários que desconhecem o verdadeiro objetivo de suas atividades.
Veselý não costuma permanecer no local onde os procedimentos são executados. Frequentemente, outras pessoas são convencidas de que participam de tratamentos, estudos acadêmicos ou ações de proteção.
Quando percebem a verdadeira natureza do trabalho, os arquivos já foram removidos.
Informações ainda não esclarecidas
- quantas pessoas foram submetidas aos procedimentos;
- qual era o objetivo final das experiências;
- quem financiava a Fundação Morgenlicht;
- por que determinados participantes eram acompanhados até a vida adulta;
- o significado das duas linhas paralelas;
- quem ajudou Veselý a fugir;
- por que alguns documentos mencionam uma segunda fase.
O Jornal Desapareceu! continuará acompanhando o caso e analisando os documentos recebidos pela redação.
Não tente abordar Radan Veselý. O médico pode estar acompanhado, utilizando outra identidade ou trabalhando dentro de uma instituição aparentemente regular.
Informações sobre seu paradeiro devem ser encaminhadas às autoridades responsáveis.
O arquivo permanece aberto.
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